SIQUEIRA CAMPOS

Antonio de Siqueira Campos

 

Antônio de Siqueira Campos, militar e político brasileiro, nasceu em Rio Claro, SP em 1898. Filho de Raimundo Pessoa de Siqueira Campos e Luísa Freitas de Siqueira Campos, passou quase toda a infância em sua cidade natal e em São Manuel do Paraíso, onde seu pai administrou as fazendas de café de seu irmão, Manuel de Siqueira Campos, um rico proprietário de terras, que também foi presidente da Câmara de Vereadores de Rio Claro.

 

Em 1904, a família mudou-se para a cidade de São Paulo, onde seu pai ocupou o cargo de

almoxarife do Departamento de Águas.

Foi nessa cidade, que Siqueira Campos passou os últimos anos de sua infância e praticamente toda a adolescência. Estudou no Grupo Escolar Sul da Sé e no Ginásio do Estado de São Paulo entre 1904 e 1914, sempre considerado um ótimo aluno.

Ele pretendia cursar Engenharia na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, mas sua mãe faleceu e seu pai casou-se novamente, com uma moça ainda mais jovem que o próprio Siqueira Campos, que estava com 16 anos. A organização do novo lar abalou as finanças de seu pai e Siqueira Campos teve que desistir da Escola Politécnica. O clima familiar não era tranqüilo e em 1915, ele resolveu sair de casa e mudar-se para o Rio de Janeiro, como fizeram seus irmãos mais velhos: Raimundo e Ananias.

 

Pretendendo continuar os estudos sua única alternativa foi ingressar como voluntário no Exército em 1915 e no ano seguinte, como aluno da Escola Militar do Realengo. Inicialmente foi incluído na Infantaria, mas aos poucos foi se direcionando para a Artilharia. A Escola Militar do Realengo, que substituiu a antiga Escola Militar da Praia Vermelha, tinha por objetivo formar oficiais profissionais e apolíticos, que se preocupassem com seu treinamento militar e não com as questões políticas do país. No entanto, ele e seus colegas não deixaram de discutir os problemas brasileiros e questionar os rumos da República Velha. Nessa época fez amizade principalmente com Eduardo Gomes e Estênio Caio de Albuquerque Lima, com que alugou uma casa para poderem estudar. A casa passou a abrigar um grupo de estudo, do qual sairiam os principais líderes das revoltas tenentistas que abalariam os anos 20 do século passado.

 

A participação de Siqueira Campos na Escola Militar foi quase perfeita, exceto por uma prisão de 15 dias após uma agressão com um chicote a um delegado de Polícia, que o destratara em 1918. O que impediu uma punição maior foi sua ótima ficha. No mesmo ano se formou e imediatamente se matriculou no Curso Especial de Artilharia, concluindo-o em 30 de dezembro de 1919.

 

 

Depois da formação Militar

 

Durante a campanha eleitoral de 1921, o jornal Correio da Manhã, na edição de 9 de outubro, publicou uma carta manuscrita, atribuída ao candidato do governo, Artur Bernardes, governador de Minas Gerais. Nela o ex-presidente da República Marechal Hermes da Fonseca era chamado de "sargentão sem compostura", acusando o Exército de ser formado por elementos "venais". Artur Bernardes negou veementemente a autoria da carta, vindo o mesmo periódico a publicar uma segunda carta, no mesmo tom da primeira, e como ela atribuída ao mesmo candidato. A comoção causada foi enorme, principalmente entre os militares, representados no Clube Militar, sob a presidência do próprio Marechal. Mais tarde seria descoberto que as assinaturas nas cartas eram forjadas.

 

Nas eleições de 1 de março de 1922, Artur Bernardes saiu-se vencedor, embora os resultados oficiais houvessem sido contestados pela oposição. Com o clima político tenso, em Pernambuco, o Exército foi chamado para conter rebeliões populares, descontentes com o novo Governo estadual. No dia 29 de junho, Hermes da Fonseca telegrafou ao Recife, exortando os militares a não reprimirem o povo, sendo, por essa razão, preso no dia 2 de julho e o Clube Militar, fechado.

 

A prisão de Hermes da Fonseca, a mais alta patente militar do país, e o fechamento do Clube Militar por decreto presidencial, foram percebidos como uma afronta aos militares do Exército. E ficaram ainda mais descontentes com a nomeação feita pelo presidente da República Epitácio Pessoa de um civil - o historiador Pandiá Calógeras - como Ministro da Guerra. Em todos os quartéis do Rio de Janeiro, se comentava que "a procissão ia sair".

 

O movimento deveria se iniciar a partir do Forte de Copabacana, à uma hora da madrugada do dia 5 de julho. Na data marcada, porém, só a Escola Militar e o Forte de Copacabana se levantaram. Cercados pelas forças leais ao Governo Federal, não tiveram alternativa a não ser entregar-se.

 

 

A revolta do Forte de Copacabana.

 

Comandava o Forte de Copacabana, na ocasião, o capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do marechal Hermes da Fonseca. No dia 4 de julho, Euclides exortou os seus comandados, tendo feito escavar trincheiras desde o portão do forte até o farol, minando-se o terreno.

 

Tendo sido estabelecido que o movimento se iniciaria à uma hora da madrugada do dia 5, à uma e vinte o tenente Antônio de Siqueira Campos disparou um dos canhões, sinal combinado. A guarnição aguardou em silêncio a resposta de outras unidades, o que não aconteceu. O Governo, informado do movimento, antecipara-se e fizera trocar os principais comandos militares da capital. Siqueira Campos, então, disparou contra o Quartel-General do Exército (no Campo de Santana, atual Palácio Duque de Caxias), o da Marinha (na Praça Barão de Ladário), o Depósito Naval e o Forte do Leme, matando quatro pessoas neste último. Outros autores afirmam que foram disparados tiros, ainda, contra a Fortaleza de Santa Cruz da Barra, em Niterói, e contra o Forte de São João, no bairro da Urca.

 

Durante todo o dia 5, o Forte de Copacabana sofreu intenso bombardeio pela artilharia da Fortaleza de Santa Cruz. Na madrugada do dia 6, o Ministro da Guerra, Pandiá Calógeras, telefonou ao Forte, exigindo a rendição dos rebeldes. O capitão Euclides Hermes e o tenente Siqueira Campos permitiram, então, a saída de todos aqueles que não quisessem combater. Dos 301 homens da guarnição, saíram 272. Enquanto isso, os couraçados São Paulo e Minas Gerais, e um destroier posicionaram-se ao largo da ilha de Cotunduba, passando a bombardear o Forte. O Ministro Calógeras telefonou uma vez mais, passando Governo e rebeldes a parlamentar. Como conseqüência, o Capitão Euclides Hermes saiu ao encontro do Ministro no Palácio do Catete, onde recebeu voz de prisão. Encerrava-se o diálogo com um ultimato do Governo: ou os rebeldes se renderiam ou seriam massacrados.

 

 Sob o bombardeio naval, o tenente Siqueira Campos, pressionado pelos remanescentes da tropa, tomou a decisão suicida: não resistirão no Forte e nem bombardearão a cidade, como haviam chegado a ameaçar. Sairão em marcha até ao Palácio do Catete, combatendo. A canivete, uma bandeira brasileira foi cortada em vinte e nove pedaços e distribuída entre os rebeldes: um pedaço foi guardado para ser entregue ao capitão Euclides Hermes. Às 13 horas do dia 6 de julho, iniciaram a marcha pela Avenida Atlântica. Um número até hoje não determinado se rendeu ou debandou. Na altura do antigo Hotel Londres, restavam dezoito militares revoltosos, aos quais se juntou o Engenheiro Civil Otávio Correia, amigo do tenente Siqueira Campos. Após alguns tiroteios, ao alcançarem a altura da antiga Rua Barroso (atual Siqueira Campos), os dez homens restantes (nove militares e o civil), foram confrontados pela tropa legalista (integrada por cerca de três mil homens). No confronto final, um tiroteio que durou aproximadamente trinta minutos, foram capturados, feridos, os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes, e dois soldados. Os demais faleceram em combate muito desigual. Os soldados vieram a falecer posteriormente, no hospital, em conseqüência dos ferimentos recebidos.

 

 

Baixas Confronto Final

 

Tenentes

Siqueira Campos - ferido a bala no abdômen

Eduardo Gomes - ferido a bala na virilha

Mário Carpenter

Ílton Prado

 

Soldados

Hildebrando Nunes

José Pinto de Oliveira

Manoel Antônio dos Reis

dois soldados não identificados

 

Civil

Otávio Correia

 

(Fonte: Nosso Século, v. 2 p. 207)

 

A essa lista outros autores acrescentam ainda o nome do Cabo Reis.

 

Suas Lutas Finais.

 

Após a revolta do Forte de Copacabana e preso após ter sido gravemente ferido, no ano seguinte, deixou a prisão em virtude de um habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal Militar (STM), exilou-se no Uruguai. Dedicou-se, então, às atividades de comerciante em Montevidéu e, posteriormente, em Buenos Aires. Em 1924, retornou clandestinamente ao Brasil e retomou as atividades revolucionárias sublevando uma guarnição do Exército em São Borja (RS). Em seguida, juntou-se ao grupo de rebeldes liderados por Luís Carlos Prestes que haviam se levantado contra o governo em outros pontos do interior gaúcho. Derrotados, seguiram para o Paraná, onde se juntaram às forças que haviam sublevado a capital paulista. Da junção desses dois agrupamentos, em abril de 1925, surgiu a Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil em campanha contra o governo de Artur Bernardes. A Coluna dividia-se em quatro destacamentos, cabendo a Siqueira Campos o comando de um deles. Em fevereiro de 1927, após quase dois anos de marcha, os revolucionários resolveram interromper a luta armada e se internaram em território boliviano. Siqueira Campos, em seguida, fixou-se em Buenos Aires, dedicando-se a reagrupar os revolucionários brasileiros exilados na Argentina e no Uruguai. Morreu em maio de 1930, quando o avião em que retornava ao Brasil caiu nas águas do rio da Prata.

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